Fundamentos da Psicologia Analítica: Terceira Conferência


¥ Como abordar a face obscura da mente?



"[...] apenas através de nossa fraqueza e incapacidade estamos ligados ao inconsciente, ao nosso mundo inferior dos instintos e aos nossos companheiros no mundo. As virtudes apenas auxiliam o homem a tornar-se independente; aí, então, já não se tem necessidade de ninguém, aí somos reis. Mas em nossa inferioridade estamos unidos à humanidade e ao mundo dos instintos. (pág.91)"

Métodos usados na investigação dos processos psicológicos inconscientes:

    - Associação de palavras (pag.43/44/70/71)
Lista cem palavras para uma pessoa solicitando que reaja com a primeira palavra que lhe vier a cabeça o mais depressa possível. Marca-se o tempo de cada resposta com cronômetro. Repete-se as palavras estimulo e a pessoa deve repetir as respostas anterior. Há importância onde falhar a memória (distúrbio na reação) pois atingiu conglomerado de sentimentos estranhos e dolorosos.  

Os Complexos são dotados de tensão e energia própria, e forma por si mesmos uma pequena personalidade. Podendo ser percebidos na personificação dos poetas, cineastas, pintores, dentre outros criadores de conteúdos.

"[...] tudo que é acentuadamente sentido torna-se difícil de ser abordado, porque esses conteúdos encontram-se, de uma forma ou de outra, ligados com reações fisiológicas, com os processos cardíacos, com o tônus dos vasos sanguíneos, a condição dos intestinos, a inervação da pele, a respiração. [...] Aquilo que é dotado de pouco tônus e pouco valor emocional pode ser facilmente posto de lado porque não tem raízes.  Não é aderente." (pág.66).


    - Análise dos sonhos: trabalho de encontrar paralelos com produtos do inconsciente.

Os sonhos são uma fonte objetiva de informação psicoterapeutica, informam o que o inconsciente de um ser esta fazendo com os seus complexos.

"[...] se não entendo é porque minha mente é que é distorcida, e não estou tendo a percepção que deveria ter. (pág. 79)"

Os complexos desempenham importante papel na análise dos sonhos, não por se tornarem classificáveis mais por tornar acessível sua dinâmica.

"[...] nossa consciência é apenas uma superfície, a vanguarda da nossa vida psicológica. A cabeça é apenas uma parte, mas atrás dela vem uma longa cauda histórica de hesitações e fraquezas, de complexos, preceitos e heranças, E sempre tomamos nossas decisões sem levá-la em consideração. Sempre acreditamos que podemos andar em linha reta, apesar de nossa pobreza, que, entretanto, tem um peso oneroso, e frequentemente derrapamos antes de atingirmos nossos objetivos exatamente por ignorarmos nossa calda. [...] a psicologia do indivíduo tem atrás de si uma longa cauda sauriana, formada pela história da família, da nação, do continente e do mundo todo. Somos humanos e não podemos esquecer que carregamos um pesado fardo por sermos apenas humanos. (pág.75)".

Jung destaca a necessidade de, ao abordar os sonhos, estabelecer sequências posto que a "...continuidade é inerente à estrutura psíquica". Nossa psique, tal qual a natureza, é contínua. O sonho é propriamente a interpretação. As associações dão pistas da dinâmica ( o que o inconsciente esta fazendo com os complexos?), logo é por meio de amplificações que  descobre-se o contexto.

" Ao tratar do insconsciente pessoal não se tem o direito de pensar demais, nem de somar nada às experiências do paciente. É possível adicionar qualquer coisa à personalidade de alguém. Você é uma personalidade definida. E o outro também tem vida e estrutura mental próprias, e por isso mesmo ele é uma pessoa. Mas quando não se trata mais de uma pessoa, quando eu também sou ele, a estrutura básica de sua mente é fundamentalmente a mesma, aí eu posso começar a pensar e fazer associações em seu lugar. (pág.83-84)".


Fonte: JUNG, C.G. Terceira Conferência. In: Fundamentos da Psicologia Analítica. Petrópolis: Vozes, 1985.


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