Fundamentos da Psicologia Analítica: Segunda Conferência


A estrutura da mente: consciente, inconsciente pessoal e inconsciente coletivo.   



Certamente a estrutura básica da mente tem traços da mente arcaica. Os conteúdos da consciência derivam do ambiente, da memoria, dos processos de julgamento e de percepção, assim como podem ser veículos para o mundo inconsciente atingir a superficie da consciência.  
No inconsciente pessoal estão os componentes de inteireza de nossa personalidade. A introversão da mente, do consciente em direção as camadas mais profundas do inconsciente, é expressa pelo mito de Nekyia.
O inconsciente coletivo tem caráter mítico e é elo de pertencimento a humanidade em geral. Não dizem respeito a heranças raciais pois são próprios a natureza coletiva do ser humano. 

"A camada mais profunda que conseguimos atingir na mente do inconsciente é aquela em que o homem 'perde' a sua individualidade particular, mas onde sua mente se alarga mergulhando na mente da humanidade - não a consciência - mas o inconsciente, onde somos todos iguais. " (p.38)

Nossa mente e nosso corpo tem sua história, relíquias e memórias do passado.  Neste âmbito temos os arquétipos: " agrupamento definido de caracteres arcaicos, que, em forma e significado, encerra motivos mitológicos [...]" (p.33-34).  Os arquétipos surgem em forma pura nos contos de fadas, nos mitos e nas lendas folclóricas nos motivos do Herói, do Redentor, do Dragão, da Baleia, do Monstro, dentre outros.  As imagens arquetípicas podem ser compreendidas apenas quando comparadas com paralelos históricos. 

O sistema endopsíquico é composto pelo complexo consciente do ego: memória (controlada pela vontade e por complexos do ego), componentes subjetivas das funções (podem ser suprimidas, excluídas ou intensificadas pela vontade), e afetos e invasões (podem apenas ser suprimidos). 
Há funções que compõem o sistema ectopsíquico: recebemos informações do mundo (sensação), as nomeamos (pensamento), estabelecemos relações entre elas (sentimento) e percebemos os cantinhos mais escondidos (intuição). A função dominante é a mais diferenciada, ou seja, se presta à adaptação do indivíduo. A função inferior é a mais excluída pela superior e não consegue se diferenciar pela falta de uso.

"Todo mundo julga sua função superior como o máximo que se pode atingir. 
[...] nenhuma verdade pode ser alcançada sem a intervenção das quatro funções. " (pág.51) 


Fonte: JUNG, C.G. Primeira Conferência. In: Fundamentos da Psicologia Analítica. Petrópolis: Vozes, 1985.

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