Eurínome e Ófion: o mito grego



No princípio havia caos e escuridão; era rudimentar a capacidade de criar. Eurínome, não tendo o que fazer, dançava no Oceano. Dançando, em êxtase, separou o céu do mar. Ao dançar para o sul sobre as ondas criou o vento norte. O vento norte cresceu lascivo. Eurínome, então, o aprisionou em suas mãos e deu forma a serpente Ófion. A partir do vento a deusa criou tudo que existe no planeta. Fora do vazio, do caos e da escuridão, emerge a força criativa.



Eurínome, a grande mãe primordial dos deuses, governa o Olimpo antes da chegada do patriarcado e do reinado dos deuses. A medida que a deusa continuou a dançar, a serpente se excita e acasala com a criadora. É iniciado o processo de criação. Ófion se enrosca no corpo de Eurínome. A deusa faz amor com Ófion, assume a forma de pomba e bota o ovo universal. O ovo contém o princípio de criação de tudo que existe hoje.
A deusa exige que Ófion se entrelaça sete vezes ao redor do ovo para chocá-lo. Assim fez a serpente. O ovo se parte em dois e derrama todas as coisas que fazem nascer o mundo: Urano [ o Céu], Óreas [as montanhas], Pontus [o mar], as estrelas, os planetas, Gaia [a terra] e tudo que dela nasce.
Quando tudo está criado, Ófion e Eurínome se mudam para o Monte Olimpo e fazem de lá sua morada. Ófion governa o mundo junto a Eurínome até serem derrotados por Cronos e Réia. O deus Ófion se vangloriava por ser criação de Eurínome e por co-criar com ela. A presunção de Ófion, ao se intitular criador do universo, incitou Réia. Eurínome o arremessa na escuridão da terra. Enraivecida, fere a cabeça da serpente com o calcanhar, quebra os dentes com os pés e o exila. Ela arranca os dentes de Ófion e o bane. Dos dentes de Ófion nasce o primeiro homem e uma nova raça: Pelasgo.

“Como você proporciona a si mesma um êxtase profundamente fortalecedor e alegre? Um caminho é curar suas feridas.  Elas ocupam um lugar emocional em seu íntimo. Uma vez curadas, o espaço que elas ocupavam fica disponível para o êxtase”. (MARASHINSKY, 2000, p.82)

Ófion insiste em se declara criador do cosmos. Ófion e Eurínome são destronados, expulsos do Olimpo e jogados, por Cronos e Réia, no Oceano. Com a primazia do patriarcado, Eurínome é tida como amante de Zeus.  


Fonte:
MARASHINSKY, A. S. O Oráculo da Deusa: um novo método de adivinhação. São Paulo: Pensamento, 2000.
WILKINSON, Philip. Mitos e Lendas: um guia ilustrado para as origens e significados. Dorling Kindersley: Inglaterra, 2009.
Heptamychia. Ferécides de Siro. Século VI a.c.



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