Processo Analítico




A psicoterapia almeja a independência do paciente com gosto pronunciado pela palavra. No princípio do processo de psicoterapia, o paciente pressupõe que o terapeuta sabe bem mais que ele. Ledo engano. A análise se torna possível quando há reconhecimento de sofrimentos em si e abertura para a resolução de conflitos, disposição para se aventurar pelos porões da própria cabeça e contemplar a variedade de condutas humanas. Se a psicoterapia faz seu efeito, o paciente deixa de idealizar o terapeuta psicológico.

Um evento nos marca e nos conforma no segundo em que é vivenciado. Ao vivenciar eventos mais ou menos difíceis nem sempre o sujeito consegui integrá-los em caminhos de vida. Tendem a ser momento em que se obstaculiza desejos genuínos.

A consciência de uma boa dose de sofrimento psíquico, a autoanálise e a disposição para pôr-se em diálogo com os conflitos põem em campo dialógico o poder saber e o ser sentir. A dependência crônica do terapeuta é findada quando este deixa de servir a posição inicial que lhe fora dada pelo paciente: a suposta supremacia de saber e cura.

Analisar difere de aconselhar.

Não é indicado que se busque suprimir sintomas antes que a doença se declare. O terapeuta se alia aos desejos do paciente contra as razoes pelas quais ele se impede de desejar. Ao enxergar a intensidade e a originalidade do drama vivido pelo paciente, há momentos em que o terapeuta é levado a apontar caminho ou mesmo impulsionar o paciente na direção do seu desejo já manifestado.

A meta é deixar a maturação do processo ao acaso e que o terapeuta auxilie os pacientes a compreenderem por conta próprias suas formações analíticas promovendo a cura das feridas que bloqueavam o desenvolvimento normal.


Ao fim da análise espera-se a experiência do processo, um amadurecimento conquistado no percurso de ousar se permitir viver o que deseja na intensidade em que se permite viver. 

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