Dinâmica Analítica: quem sofre, fala

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O processo de diferenciação é a fluidez de nos tornarmos realmente quem somos por uma confrontação dialógica consciente-inconsciente que se une em símbolos vividos. Há origem, florescimento e perecimento.

Percorrer o percurso de ousar viver o que deseja é alcançar a maturidade. Ser singular, separar-se dos complexos parentais, inserir-se em padrões coletivos de normas e valores dando-se conta do que está em cena.  Há busca pelo sentido em situações concretas estabelecendo relações.

Assume-se o risco de ser si mesmo. Confronta-se conscientemente com a disfuncionalidade de resolver novos problemas com velhos métodos. Perde-se a concentração. Emergem frustrações quando buscamos novos resultados por meio de estratégias viciadas.

Subitamente tudo se paralisa, ficamos bloqueados e presos numa situação neurótica (algo que quer crescer) e nesse momento a energia vital é mobilizada e irrompe. Nas transições de vida manifestam-se:

- insatisfação maciça com a vida atual;
- rememorações do que a vida tem trazido;
- saudosismo do que deveria ter sido incorporado ao viver;
- insegurança por estar em meio a reorganização e caos;
- insegurança quanto ao próprio ser em si mesmo;
- ansiedade e adoecimento (gritos e sussurros para que cuidemos de nós mesmos);

No momento em que a pessoa se sente completamente perdida, sem nenhuma perspectiva pela frente, a energia que estava flui e, geralmente, oferece uma solução original do inconsciente. No amadurecimento da sensação de não saber o que mais decidir e por onde seguir nasce a ideia súbita como lampejo e sentido de vida.  Imerso na sensação de perder a si mesmo, em situações em que não vemos mais saídas, nos abrimos para algo que vem do inconsciente.

Os limites do trabalho do terapeuta residem na vontade do sujeito de entrar em análise. Quando uma pessoa se encontra com outra, ela escolhe o quanto de si irá compartilhar. O processo terapêutico é o encontro em que cada oferece partes de si até que o todo seja confiado. Posteriormente é, a partir do sintoma, que se chega ao símbolo, lhe dá formulação linguística e possibilidades de interpretação. O símbolo libera estratégias de ação no cotidiano. O terapeuta, ao mostrar interesse pela personalidade total do paciente, suas potencialidades e bloqueios, viabiliza que os impulsos de desenvolvimento sejam impulsionados.


Dá-se início a conquista do amadurecimento: 
ousar se permitir viver o que deseja na intensidade em que se permite viver. 

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