O papel da tutoria em ambiente de EaD



O papel da tutoria em ambiente de EaD

A educação é um ato de conhecimento crítico e de conscientização que em si mesma não conduz seus atores ao saberes nem a liberdade intelectual. Há um compromisso dos profissionais de educação com a sociedade que infere no ato pedagógico comprometido com a transformação da realidade de acordo com as finalidades propostas pelo homem.
“[...] a alienação estimula o formalismo [...] o homem alienado, iseguro, frustrado, fica mais na forma do que no conteúdo, ve as coisas mais na superfície que em seu interior”(FREIRE. p. 25).

O papel da tutoria em ambiente EAD é tendenciosamente associado, na maioria das vezes, com a perspectiva tradicional da educação a distância em que os alunos necessitam de um sujeito que apoie, oriente e dirija o processo de ensino aprendizagem.
 “A educação a distância via Internet redefine substancialmente o papel do professor que agora assume posição diferenciada daquela conhecida historicamente. Como elemento central no processo ensino/aprendizagem, portanto, precisa ter sua função, sua prática, seu papel questionado, compreendido, estudado.” (MACHADO. p.1)
E, por ainda permanecermos focados no ensino como transmissão/ aquisição de conhecimentos impostos creio ser de suma importância que os profissionais de educação a distância distinguam educação de ensino na determinação prática e teórica de sua filosofia de ação profissional, no fomento de espaços afetivo-sociais de trabalho e interação, e acerca das expectativas dos papéis dos alunos (que não se resumem a passividade de aprendizes). Não é uma postura de detentor do conhecimento nem de fazedor do aprender – conforme defende o texto de referência. Todos são sujeitos do processo dialético de ensino aprendizagem, e mutuamente aprendem e ensinam.

Somos induzidos, desde os anos iniciais na escola, a nos 'apoiar' neste profissional e responsabilizá-lo por nossa tarefa intelectual. Pensando os processos de acesso ao saber em EAD é prioridade fomentar a autonomia do aluno. E, nas palavras de FREIRE, “o homem deve ser sujeito de sua própria educação” (p.28) na medida em que não há “ser superior que ensina um grupo de ignorantes” (p.29) e sim “aquele que comunica um saber relativo a outros que possuem outro saber relativo”(p.29).
" É preciso superar a postura ainda existente do professor transmissor de conhecimentos. Passando, sim, a ser aquele que imprime a direção que leva à apropriação do conhecimento que se dá na interação. Interação entre aluno/aluno e aluno/professor, valorizando-se o trabalho de parceria cognitiva; (....) elaborando-se situações pedagógicas onde as diversas linguagens estejam presentes. As linguagens são, na verdade, o instrumento fundamental de mediação, as ferramentas reguladoras da própria atividade e do pensamento dos sujeitos envolvidos. (http://www.sesc.org.br)." (MACHADO. p.4-5)
Em EAD o que mobiliza o crescimento discente é a busca por desenvolver-se plenamente nas esferas política, econômica, social, cultural e histórica que são inerentes a construção de saberes. O tutor muito mais do que disponibilidade permanente deve ter consciência de que ele não detém o saber; seu papel é propiciar ambiente frutífero ao pensamento crítico e fundamentado. Ele deve estar disponível ao grupo para fomentar-lhe a busca de saberes sem ocupar posição de detentor deste saber e sim de sujeito em diálogo pedagógico com outros na construção coletiva do saber crítico.
“O apoio tutorial realiza, portanto, a intercomunicação dos elementos (professor-tutor-aluno) que intervêm no sistema e os reúne em uma função tríplice: orientação, docência e avaliação.” (MACHADO. p.10)
Referência:
MACHADO, Liliana Dias; MACHADO, Elian de Castro. O PAPEL DA TUTORIA EM AMBIENTES DE EAD. 2004.
FREIRE, Paulo. EDUCAÇÃO E MUDANÇA. 22ª edição. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1998 (1979).

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