Quanto VALE não atrelar Crescimento e Desenvolvimento?


A Vale é uma mineradora brasileira presente em 38 países. A segunda maior mineradora em território mundial e canditada - dentre quarenta é a sexta mais votada por efetiva degradação ambiental e social - ao prêmio de pior corporação de atuação socioambiental pela Public Eye Award 2012. Tem se destacado negativamente no âmbito das violações ambientais e direitos humanos. Os impactos da atuação da empresa pelo mundo foram relatados no “Dôssie dos Impactos e Violações da Vale pelo Mundo” (http://pt.scribd.com/doc/ 30255081/Dossie-dos-Impactos-e-Violacoes-do-Vale-no-mundo), construído coletivamente no I Encontro Internacional movimento Atingidos pela Vale, em abril de 2010, na cidade do Rio de Janeiro. A atual indicação da Vale esta diretamente relacionada com sua participação na construção de Belo Monte - hidrelétrica que vem sendo construída com verbas federais do Programa de Apoio ao Crescimento (PAC) na Amazônia – e realocação de 40 mil moradores da localidade – 14 comunidades do Médio Xingu. Em 2010 a empresa passou a participar do Consórcio Norte Energia SA – responsável pela construção da hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu, no Pará.
A votação foi realizada por voto popular no mundo todo e terminou no dia 26 de janeiro. Durante o processo mais de 88 mil pessoas participam da votação para pior empresa global de 2011. O resultado foi anunciado no dia 27 de janeiro, no Fórum Econômico Mundial, em Davos. Os resultados divulgados foram:  O vencedor do Prêmio Olho Público é a VALE [...] com 25'042 votos. O vencedor do Prêmio Global é BARCLAYS. (http://www.publiceye.ch/en/ranking/). Há, no mesmo site o Ranking da Vergonha 2012, elencando o quantitativo de votos das empresas Vale, Tepco, Samsung, Barclays, Syngenta, Freeport. A indicação da Vale para o Public Award 2012 “foi feita pela Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale (International Network of People Affected by Vale) através da organização brasileira Rede Justiça nos Trilhos, sediada no Maranhão, em parceria com as ONGs internacionais Amazon Watch e International Rivers  justificada  pelos inúmeros impactos ambientais, sociais e trabalhistas provocados nas últimas décadas pela corporação em território nacional e mundial. Os mega-projetos mineradores da Vale produzem impactos ambientais, sociais, trabalhistas,  econômicos e no modo de vida tradicional de populações que moram em áreas de atuação da empresa, dentro e fora do país. A Vale, atualmente, tem 37 projetos de investimento com entraves ambientais, com três projetos de mineração em áreas de Florestas Nacionais. No interior de Unidades de Conservação esses projetos provocam poluição; aterramento e represamento de nascentes e igarapés; o assoreamento de açudes; a contaminação de córregos por minério de ferro e o desmatamento  para construção de estradas.
Na região metropolitana de Belo Horizonte, e em uma das poucas áreas intactas do quadrilátero ferrífero, a Serra do Gandarela e o Parque Nacional da Serra do Gandarela, a Vale quer implantar a Mina Apolo. A região possui recursos hídricos inestimáveis que fatalmente serão contaminados pelas atividades mineradoras. Na Baia de Sepetiba, Rio de Janeiro, o empreendimento Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) que provém da associação da Vale com a ThyssenKrupp, já foram noticiados inúmeras reclamações de moradores da localidade quanto a emissão de foligem nos arredores. Em relação a poluição atmosférica, segundo dados de 2010 a Vale foi responsável pela  emissão de 6,6 mil toneladas de material particulado.
O empreendimento tem sido responsável pela elevação em 76% das emissões de CO2 no Rio de Janeiro e aumento da concentração de ferro no ar da região. Na Baía de Sepetiba, “ [...] a Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA), empreendimento da Vale e da ThyssenKrupp, vem causando inúmeros impactos negativos na saúde, no meio ambiente e na renda de cerca de 8.000 famílias de Pescadores artesanais e centenas famílias residentes em Santa Cruz.” A empresa suprimiu áreas de manguezais e margem de rios sem autorização do Ibama/RJ. Em 2010, a empresa foi autuada pelo INEA por poluição ambiental pela emissão de material particulado – da decomposição ferro-gusa em cavas abertas. E, esta sendo acusada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado – GAECO – por crimes ambientais.
Na esfera internacional, a Vale tem sido negativamente atuante em Moçambique na expulsão de comunidades camponesas para implementação de projetos grandiosos de mineração de carvão.  Seus mega-projetos de mineração são responsáveis agravamento da pobreza no norte e centro do país – a principal fonte de renda das comunidades locais era a venda de lenha e carvão. No Canadá, a Vale fez uso do ‘discurso de crise mundial’ para reduzir salários, cortar benefícios, reduzir direitos adquiridos  e aumentar a jornada de trabalho: “foram 12 meses de greve em Sudbury e Port Colborne, em Ontário, e 18 meses em Voisey’s Bay, na Província de Newfoundland e Labrador, envolvendo mais de 3 mil trabalhadores.” (http://xinguvivo.org.br/votevale/?page_id=24). A empresa também esta sendo processada por destruir o lago de Sandy Pond em Ontario, onde opera uma refinaria de níquel. No Peru, há uma subsidiária da Vale – a Miski Mayo - instalada em Cajamarca desde 2003, associada à mílicas locais para reprimir lideranças que venham a se opor ao empreendimento. Na Indonésia, após a guerra civil ocorrida em 2000, as lavouras e casas dos refugiados deram lugar a alojamentos e minas. A população – por intervenção da Vale e das forças armadas do Estado - perdeu o direito às terras, vive na indigência e sem condições de trabalho. Na Argentina, na região de Mendoza, a Vale opera o projeto Potássio Rio Colorado cujas ações impactam umabacia hidrográfica de aproximadamente 25 mil habitantes, e destruir parte considerável da fauna e da flora locais. [...] o Rio Colorado, que corta quatro diferentes províncias, corre riscos de salinizar.” (http://xinguvivo.org.br/votevale/?pag e_id=24). E, na colônia francesa de Nova Caledônia, a Vale Inco (mineração de níquel na mina de Goro) é mal vista pela população indígena local, sendo um dos focos dos protestos a construção de dutos para despejo de resíduos de mineração no mar “que poderá prejudicar a barreira de corais que circunda o país [...] o maior sistema de lagoas do planeta.” (http://xinguvivo.org.br/vote vale/?page_id=24).
Não adquirimos conhecimento apenas com a finalidade única de mera apropriação do saber, é importante refletir, pesquisar, aprofundar e agir coletivamente. O acesso a informações é de suma importância para que haja mobilização da sociedade fundamentada em fatos reais e propulsora de mudanças nos políticas públicas, empresariais e comerciais. É imprescindível refletirmos e revermos o atual modelo econômico e matriz de desenvolvimento. Se até hoje as políticas públicas brasileiras indicavam atrelar preservação ambiental (que difere fortemente da utópica ‘natureza intocada’) e crescimento econômico – ao priorizar áreas sociais, de educação, cultura, como essencias ao desenvolvimento nacional participativo – por que, agora, estamos optando por reforçar o uso do petróleo, com a exploração do Pré-Sal, e não por incentivar iniciativas de uso da energia alternativa e de menor impacto poluidor? As opções políticas e empresariais estão contradizendo políticas ambientais nacionais e mundiais. Neste contexto, devemos refletir e agir sobre a permissividade política na votação do Código Florestal no Brasil, além de tantas outras querelas contemporâneas: a crise nos Estados Unidos e na Europa, que provoca medidas econômicas restritivas à população e permissivas às corporações e instituições bancárias, a privatização dos recursos da natureza - que permite a apropriação de poucos sobre recursos que deveriam beneficiar a todos -, etc. A lógica das corporações têm sido: privatizar os lucros e estatizar os prejuízos. Mas, qual é a nossa lógica? Atentemos, de fato e por direito, para as necessidades das maiorias e para lucro coletivo!
Fonte:http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Blog/vale-disputa-trofu-de-pior-atuao-socioambient/blog/38758/
           http://www.publiceye.ch/en/ranking/
           http://xinguvivo.org.br/votevale
Acesso em: 28/01/2012

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