Gado em Terra Xavantes de Marawãtsede


Por quatro décadas os Xavantes de Marawãtsede travaram batalhas com invasores violentos e com o omisso governo brasileiro em busca de voltarem a suas próprias terras na região do norte do Mato Grosso - conhecida como Vale do Araguaia.

Marãwatsede, no idioma xavante, significa "Mata Densa" ou "Mato Grosso", mas hoje, os Marãwatsede enfrentam bandos de pistoleiros que agem a soldo do latifúndio, que derruba suas matas para a expansão da monocultura da soja. (http://www.anovademocracia.com.br/no-60/2549-xavantes-contra-o-latifundio-no-mato-grosso)

Expulsos da região na década de 60 pelo governo brasileiro, os Xavantes ganharam o direito de voltar na década de 1990 mas encontraram seu território destruído e tomado por fazendas de gado. Desde 1966, latifundiários tentam expulsar os Xavantes de Marãwatsede. A invasão das terras iniciou-se com o latifundiário Ariosto Riva, em sociedade com o Grupo Ometto, foram expandindo seu domínio utilizando-se de coação e força. O latifúndio chegou a contar com 1,7 milhão de hectares. O latifúndio Suiá-Missu tinha extensão superior à área do Distrito Federal. Em 2009, após de trabalharem gratuitamente para Ariosto Riva, enfrentarem conflitos com os empregados da fazenda, passarem fome e serem deslocados três vezes dentro do latifúndio, cerca de 230 Xavantes foram transferidos em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) para uma outra reserva indígena a 400 quilômetros, a Missão Salesiana de São Marcos. Uma semana após o deslocamento, 70 Xavantes morreram de sarampo. Na sequência destes fatos, o “controle da fazenda Suiá-Missu passou para as mãos da Liquifarm Agropecuária Suiá-Missu, sucedida [...] pela empresa petrolífera italiana Agip ‘do Brasil’. A empresa italiana, no embalo da demagogia ecológica da Conferência ECO92, anunciou a ‘devolução’ das terras aos seus legítimos donos após um acordo com o governo brasileiro. (http://www.anovademocracia.com.br/no-60/2549-xavantes-contra-o-latifundio-no-mato-grosso)
Xavantes e fazendeiros ainda disputam a posse de uma área que pertencia à fazenda Suiá-Missu, que já ostentou o título de maior do mundo. A propriedade se extende pelos municípios de São Félix do Araguaia , Alto Boa Vista, Serra Nova Dourada e Bom Jesus do Araguaia. Além de enfretar os latifundiários, os Xavantes enfrentam a obstinação de 800 pessoas que ocuparam um vilarejo criado na Terra Indígena. E, segundo o Ministério Público Federal, há um comércio de terras indígenas, chamado Reforma Agrária privada, movimentado pela Associação dos Produtores de Suiamissu. A FUNAI (Fundação Nacional do Índio - criada pela Lei 5.731, de 05 de janeiro de 1967, vinculada ao Ministério da Justiça, entidade com patrimônio próprio e personalidade jurídica de direito privado, é o órgão federal responsável pelo estabelecimento e execução da política indigenista brasileira em cumprimento ao que determina a Constituição Federal Brasileira de 1988.) tomou conhecimento de que as terras da fazenda estavam sendo loteadas por uma centena de famílias de 'sem terra', com apoio de políticos da região, grandes fazendeiros e da própria Agip do Brasil, com o intuito de obstaculizar o retorno dos Xavantes à área. Os moradores/posseiros se recusam a sair, desafiando a ordem da Justiça que, em 2007, mandou que os não-índios deixassem a região. Posseiros e latifundiários não acatam a Justiça, recorreram à ordem judicial e continuam derrubando árvores para a criar gados e plantar soja. As investigações da Polícia Federal apontam que a devastação atinge mais de 60% da reserva indígena.

O tradicionalmente guerreiro povo Xavante está acuado em 20% dos 165 mil hectares demarcados para ele. A arrasada terra local abriga cerca de mil Xavantes cuja sobrevivência tem sido submetida a escassez de peixes e da caça – provocada pelo desmatamento –, não há madeira para confecção de utensílios usuais,  as terras são cortadas pela BR-158 – usada para escoar produção de gado.  Grande parte dos 80% restantes da demarcação da terra indígena estão ocupados, há anos, por grandes fazendeiro ligados à atividade pecuária e soja.

Apesar de demarcada em 1993 e homologada em 1998, a Terra Indígena Maraiwãtsede é o avesso do que a lei de fato determina para uma Terra Indígena. Legalmente, é claro, no papel, a proibição de “qualquer pessoa estranha aos grupos tribais (...), assim como atividade agropecuária ou extrativa” nas áreas reservadas a essas comunidades”. No entanto, a Terra Indígena Marawãtsede é repleta de fazendas de gado. A pecuária que toma conta da área é responsável por mais de 45% do desmatamento e entrega aos supermercados e aos consumidores carne com sabor de ilegalidade.

Posteriormente, os Xavantes do Mato Grosso bloquearam a BR-158, na altura do distrito Nova Suiá, município de Alto Boa Vista em protesto devido a um incêndio que destruiu o ônibus, doado pela FUNAI em 2006, e utilizado para o transporte das crianças da aldeia até as escolas localizadas na sede do município de Bom Jesus. Certamenteo incendio foi de autoria de latifúndiários ansiosos por expulsar os índios definitivamente de suas terras.
Em resposta à invasão de suas terras, em novembro de 2011, os Xavante de Marãwatsede tomaram tratores e máquinas dos latifundiários, enfrentaram bandos de pistoleiros, em defesa de suas terras garantidas por lei nacional. A FUNAI montou um posto de vigilância na entrada da aldeia, mas declarou ser impossível permanecer na área devido às constantes ameaças dos latifundiários. No entanto, atualmente, de acordo com o site http://www.greenpeace.org/brasil/pt/ Noticias/Direito-reconhecido, “armados, os fazendeiros da região já organizam represálias contra os índios, e o que se anuncia é um conflito mais grave do que o da disputa pela TI Raposa Serra do Sol. Para Beiriz, indigenista da Fundação Nacional do Índio, o Estado precisa agora estruturar um plano de reocupação, articulando FUNAI, Polícia Federal e Incra, pelas famílias alocadas pela reforma agrária”.

Da Amazônia para o prato do consumidor não cidadão, em 2011, quase dois anos depois de ter assinado TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) e ter se comprometido publicamente a não comprar mais gado criado em terras indígenas, os frigoríficos JBS (FriBoi), Minerva e MarFrig continuam quebrando suas promessas. O fardo urbano do cosumo de carne e de soja tem sido custeado pelos povos da floresta amazônica.

A despeito do sofrimento do povo Xavante, inúmeras outras empresas (Nike, Clarks, Adidas, Timberland, Unilever, Carrefor, Wallmart e outras) tem colaborado direta e indiretamente com massacre das populações tradicionais amazônicas cujo direito as terras brasileiras antecede qualquer legislação ou interesses econômicos contemporâneos.

http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/Direito-reconhecido/
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=MmERB7fGuME
http://www.anovademocracia.com.br/no-60/2549-xavantes-contra-o-latifundio-no-mato-grosso
http://www.funai.gov.br/index.html

Assista: http://www.youtube.com/watch?v=U_boPeK7S4g
Leia: relatório A Farra do Boi na Amazônia(http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Documentos/Farra-do-Boi-na -Amazonia/)

Acessos em: 21/12/2012

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