Ainda tão pueril

A escolha por Ícaro esta relacionada com o fascínio suscitado pela transposição de limites. A energia jovem se crê vigorosa e onipotente, rumo ao calor da liberdade e ilusão de não limites.

Quão sedutor são as asas da liberdade inflando autonomia, ponderadas nas posteriores conseqüências: punitivas ou reforçadoras. A juventude de Ícaro se contrapõe aos racionalismos de Dédalo. Puer voraz por ganhar nuvens. Quantos momentos são impulsionados por emoções instintivas menosprezando estratagemas da razão. A paixão pueril que alimenta a alma e faz padecer corpos.

A ilusão do aparente, farsas do porvir tornando as intenções paternas algo irrelevante diante do que se crê por próprios anseios.

Solver o labirinto. Criar asas. Ouvir a sabedoria não finda, há de intercalar, mesclar o outro a mim, pensar e sentir, que nos fazem convergir e divergir sem precipitar seu próprio fim.

Ampliar o mito de Ícaro é acentuar frutos por colher na jovem árvore. Pensamentos circundantes, transbordam emoções, ondas que aquecem as montanhas de anseios, cálidos medos precipitados por nuvens de mentira em minha alma. Ventos quentes aconchegam mecanismos que mediam meu pensar e meu sentir.

                       Há partes de mim que não se harmonizam com o todo.

Por pensamento espontâneo prossegui com a imagem de uma árvore. Criei troncos com forma de labaredas que provinha do solo de vulcão, a copa de variados tons de verde e toda imagem contornada por uma áurea azul.

Árvore do fogo, as lavas são sua base e o tronco teu cume. Vulcão de vida, queime para emergir vida.  Labaredas das esperanças alimentadas pela seiva pirotécnica da terra.

                         Queima, árduo processo de trazer vida.

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